Justiça espanhola interfere no plano de vacinação do governo da Catalunha

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Conforme apresenta o portal ABC, a Justiça espanhola exige que o plano de vacinação do governo da Catalunha vacine, “imediatamente e sem dilações”, os membros da Guarda Civil e policiais espanhóis de serviço no território catalão. O órgão jurídico determina que a exigência seja cumprida “até que haja proporcionalidade de vacinados entre Mossos d’Esquadra (a polícia catalã), membros da Guarda Urbana, Polícia Nacional e Guarda Civil”, e determinou um prazo máximo de dez dias para que isso aconteça. Embora a notícia do ABC comece com um “Não haverá discriminação contra policiais e guardas civis no processo da vacinação”, as razões foram explicadas pela secretaria de Saúde do governo catalão.

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Vacinação por faixa etária e paralisação temporária da vacina AstraZeneca

Em resposta à exigência da Justiça espanhola, Alba Vergés, secretária de Saúde do governo da Catalunha, disse que “houve um problema no censo dos agentes”. Vergés também argumentou que “outras circunstâncias” impediram, até o momento, a “proporcionalidade” exigida pela Justiça da Espanha. Entre essas circunstâncias, está o fato de esses agentes terem solicitado que os profissionais de saúde fossem aos quartéis para aplicar a vacina, em vez de os agentes irem aos centros de vacinação. Segundo Vergés, “não era possível enviar uma equipe de profissionais de saúde para vacinar poucos agentes”, e que, finalmente, quando houve um acordo, “houve a paralisação forçada da vacinação com AstraZeneca” por parte do governo espanhol.

Assim, Alba Vergés afirma que “jamais houve a vontade de não vacinar os agentes”, e que a vacinação foi paralisada pela ordem de interromper a aplicação da vacina AstraZeneca. Até o momento da paralisação, a vacina da AstraZeneca era a utilizada para vacinar pessoas com menos de 55 anos. Vergés explicou, também, que com a retomada da vacinação, foi priorizado o grupo de pessoas com mais de sessenta anos. “Agora, já não se vacina segundo os considerados ‘grupos essenciais’, mas sim os cidadãos de idade mais avançada”, complementou Vergés.

A secretária de Saúde do governo catalão, entretanto, não se limitou a dar explicações. Vergés denunciou que as “exceções” oriundas da ordem da Justiça espanhola são “inadequadas”, e que, “mais uma vez, os tribunais interferem na gestão da pandemia“. Vergés lembrou que “interferem em uma estratégia estatal de vacinação, que não foi decidida apenas pelo governo catalão”. Finalmente, a secretária reiterou que “agora é o momento de vacinar por idade”.

Críticas severas do secretário de saúde pública da Catalunha

Josep Maria Argimon, secretário de saúde pública da Catalunha, reivindicou que “nunca discriminamos, nem por idade, nem por gênero, nem por crença, por nada”, e garantiu que “não importa se é um Mosso d’Esquadra ou membro da Guarda Civil”.

Argimon negou a existência de uma politização das vacinas por parte do governo da Catalunha: “houve por parte de Madrid, além da judicialização”, detalhou o secretário. Alinhado às explicações de Alba Vergés, Argimon qualificou de “ridícula” a interferência da Justiça no plano de vacinação do governo da Catalunha, afirmando que “complica a gestão da pandemia”. Finalmente, Argimon disse que “se o governo espanhol não tivesse paralisado a vacinação com a vacina da AstraZeneca, todos [em referência aos agentes da Guarda Civil] já estariam vacinados”.

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