Miquel Iceta e a cortesia não correspondida

Alguns dias após as eleições de 28 de abril, o líder do governo espanhol, Pedro Sánchez, sugeriu Miquel Iceta para a presidência do Senado. Iceta é o Primeiro Secretário do PSC (Partido Socialista Catalão) no Parlament de Catalunya. O deputado, porém, teve seu nome plenamente envolvido na votação pela aplicação do Artigo 155 da Constituição espanhola. Em que consistiu esse 155? O governo da Catalunha foi suspenso, e passou a ser controlado por Madrid. O castigo que o Estado espanhol impôs, após a declaração de independência realizada no Parlamento da Catalunha, em 27 de outubro de 2017, durou 7 meses, e veio acompanhada por uma repressão que parece não ter fim.

Miquel Iceta apoiou a aplicação do 155 na Catalunha, mas após saber de sua indicação para a presidência do Senado espanhol, apelou à “cortesia” da Câmara catalã. Segundo o deputado, caberia ao Parlamento da Catalunha fazer uso da clássica “cortesia parlamentar”, e “aproveitar a oportunidade de ter um representante catalão como presidente do Senado espanhol”. Iceta afirmou que seria uma “aberração democrática” um veto à sua eleição, e que iria até o Tribunal Constitucional espanhol caso a “aberração” se tornasse realidade.

Os três partidos independentistas (ERC, JxCat e CUP) se impuseram com seus votos, e vetaram a eleição de Iceta, que deveria acontecer na próxima semana. Também será no dia 21 de maio que cinco presos políticos catalães, atualmente julgados no Tribunal Supremo de Madrid, irão ao Congresso e Senado espanhóis para recolher suas respectivas atas como parlamentares eleitos no sufrágio de 28 de abril. A confirmação do veto à Iceta foi reforçada por algo que o líder do PSC disse há poucos dias: “voltaria a aplicar o 155 contra o governo catalão”. Portanto, como o deputado pode falar em “cortesia parlamentar” em uma situação política tão grave? Votar a favor da suspensão do governo catalão, e pedir a esse governo que “seja cortês” é, no mínimo, um desrespeito à inteligência. Miquel Iceta não mostrou cortesia em relação aos presos políticos, não foi cortês com aqueles que se exilaram e ainda são perseguidos. A aplicação do 155 pesa, Iceta, e não existe cortesia alguma que aguente.

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