O que une Greta Thunberg à causa democrática catalã?

Um nome tem tido bastante repercussão internacional nos últimos meses: Greta Thunberg. A adolescente de 16 anos e origem sueca tem agitado as estruturas europeias com seus discursos e atos sobre a perigosa mudança climática global. Greta se tornou conhecida por seus protestos diante do Parlamento sueco, que tinham por objetivo chamar a atenção dos líderes políticos do país para as consequências da mudança no clima no planeta. Em 2018, uma forte onda de calor afetou o país nórdico, provocando 50 incêndios florestais, que destruíram cerca de 20 mil hectares. Greta deixava de ir à escola para protestar, mas a partir de setembro, fixou um dia na semana para o protesto. Surgia, então, o movimento Fridays for Future (Sextas pelo futuro).

Fridays for Future não é restrito ao território sueco. Atualmente, mais de mil cidades de mais de 90 países aderiram ao movimento, formado majoritariamente por jovens como Greta Thunberg. Nessa sexta-feira, 15 de março, mais de 2000 estudantes se manifestaram em Barcelona e reivindicaram gestos dos governos contra as sérias ameaças do aquecimento global.

Os leitores do Aqui Catalunha podem estar fazendo esta pergunta: o que isso tem a ver com a causa independentista catalã? Eis aqui as respostas.

Greta Thunberg teve seu discurso vetado no Parlamento Europeu

Greta Thunberg participou, em janeiro deste ano, do Fórum Internacional de Davos, e falou diante dos poderosos representantes da elite política e financeira global. Em dezembro de 2018, Greta esteve em uma conferência da ONU sobre a mudança climática. Sua progressiva presença no cenário europeu lhe levou a ser convidada pelo grupo Aliança Livre Europeia (também conhecido como Partido Verde Europeu), da Câmara europeia, a fazer um discurso de 5 minutos sobre as mudanças climáticas. Greta, porém, não pôde discursar no Parlamento Europeu, pois as agrupações políticas PP, ALDE, ECR, ENF i EFDD, consideradas de direita, vetaram a presença da ativista sueca, alegando que Greta “não é uma autoridade institucional e não ostenta nenhum cargo do tipo”.

O silêncio obrigado de Greta Thunberg – apenas no Parlamento Europeu, diferentemente do que ocorreu em Bruxelas, no fim de fevereiro, onde teve o aval do presidente da Comissão Europeia para discursar, e também o seu compromisso de dedicar um quarto do orçamento europeu do período 2021-2027 à redução da emissão de gás carbônico – está intimamente ligado ao veto do presidente do Parlamento Europeu, Antonio Tajani, à conferência de Carles Puigdemont e Quim Torra, que tiveram de fazê-la em um hotel em Bruxelas. A conferência tinha por objetivo defender a autodeterminação catalã e denunciar a repressão espanhola. Essa censura contrasta com a permissão concedida pelo Parlamento Europeu a membros do partido VOX, da extrema-direita espanhola, para que esses pudessem fazer uma conferência sobre a Catalunha. No evento, os líderes do partido espanhol defenderam, entre outras lamentáveis ideias, a prisão de Carles Puigdemont e a eliminação do movimento independentista catalão, considerado por eles um “golpe de Estado”.

Do “Que país é esse?” ao “Que Parlamento é esse?”. É preocupante o fato de vozes a favor da qualidade democrática e da qualidade ambiental serem barradas em um espaço que deveria ser o exemplo supremo de liberdade democrática. Mais preocupante ainda quando, por outro lado, permite-se que membros como os do partido VOX tenham autorização para condenar os movimentos feministas e dizer barbaridades sobre a causa independentista catalã. É preciso uma regeneração, e ela pode começar em 26 de maio, dia das eleições na Câmara europeia. Vozes como a de Greta Thunberg e Carles Puigdemont são a esperança de um mundo sem perigos climáticos, e de um mundo onde a autodeterminação seja respeitada e praticada sem traumas. São vozes indissociáveis. A revolução de Greta e do independentismo catalão vencerão. Precisam vencer.

 


 

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