CUP propõe um novo referendo de autodeterminação na atual legislatura

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A poucos dias do quarto aniversário do referendo de autodeterminação, o partido CUP propõe um novo referendo de autodeterminação para a Catalunha na atual legislatura. De acordo com texto publicado nesta terça-feira pelo grupo anticapitalista, “a sociedade catalã deixou claro, de maneira majoritária e permanente, que a solução do conflito [político] passa pela realização de um referendo de autodeterminação, em que todos os cidadãos da Catalunha possam decidir o futuro do território”.

Para Carles Riera, o deputado da CUP no Parlamento catalão, as atuais condições políticas [em referência, também, à detenção de Carles Puigdemont pela polícia italiana na última semana] “não favorecem a Mesa de Diálogo” entre os governos da Catalunha e da Espanha. A princípio, a Mesa de Diálogo serve para que os governos encontrem uma solução para o conflito político, cujo auge ocorreu em 1º de outubro de 2017, com a realização do referendo, considerado “ilegal” pela Constituição espanhola. Após a primeira reunião entre os governos de Pere Aragonès (Catalunha) e Pedro Sánchez (Espanha), não houve novidades quanto a uma possível solução política. Espera-se, porém, que os dois governos voltem a se reunir para debater o tema.

Vale a pena ler: Presidente da Catalunha defende “nova etapa de negociações” com o governo espanhol

Um referendo de olho na Escócia

A proposta da CUP tem por base outro referendo que, possivelmente, ocorrerá em 2023. Em maio deste ano, o bloco independentista escocês venceu as eleições parlamentares, e conquistou maioria absoluta. Nicola Sturgeon, Primeira-Ministra escocesa, prometeu “desafiar” Londres com um novo referendo. Assim, de acordo com Carles Riera, a possível realização de um novo referendo escocês e hipotética vitória dos apoiadores da independência da Escócia “legitimaria” um novo referendo de autodeterminação na Catalunha. Entretanto, o deputado do partido CUP não detalhou se esse referendo seria pactado com o governo espanhol ou se, tal como em 2017, seria unilateral.

Até o momento, os partidos independentistas Esquerra Republicana de Catalunya (ERC) e Junts per Catalunya ainda não se manifestaram sobre a proposta da CUP. O partido de Pere Aragonès, ERC, tem sido mais a favor de uma solução pactada com o governo espanhol, baseada, sobretudo, no “fim da repressão” contra a causa catalã (anistia) e em um referendo pactado (um passo rotundamente negado pelo governo espanhol). Já para o partido liderado por Carles Puigdemont (Junts per Catalunya), o referendo de 1º de outubro de 2017 somente pode ser substituído por um referendo pactado com o governo da Espanha.

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